O tema deste projeto de pesquisa é “marcas de proveniência bibliográfica”, ou seja, elementos agregados ao livro que, geralmente, remetem à sua procedência.

No contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, este tema situa-se dentro do campo da História do Livro. Porém, por sua natureza multidisciplinar, se inserido no tratamento documental, por exemplo, na atividade com esses elementos, o profissional Bibliotecário precisa ter conhecimento do assunto desde a sua formação e, ainda assim, pode ser necessário estabelecer proximidade com outros profissionais com competências em outras áreas, como a Bibliografia Material e a Representação Descritiva. Não é um trabalho que se esgota num único indivíduo ou área do conhecimento, frequentemente, serão necessários diálogos com historiadores, filólogos, especialistas em heráldica, dentre outras especialidades.

 

A identificação de marcas de proveniência é essencial em qualquer tipo de acervo raro, antigo, histórico, patrimonial ou não. Além disso, o registro dessas marcas no campo de notas é sempre necessário, não só para estabelecer redes, mas também para recuperar a informação. Portanto, não se trata apenas da narrativa histórica de uma biblioteca, mas também de indivíduos.

Pelo conhecimento estratégico que promove na biblioteca, essa caracterização pode se apresentar de forma muito relevante na disseminação da informação, pois transita em aspectos do livro tanto como conteúdo quanto como objeto, além de encontrar reflexo na própria atividade de gestão e administração de bibliotecas. Ademais, promove o deslindar dos caminhos de determinada coleção.

 

Em 2015, o RBSCS/IFLA (IFLA Rare Books & Special Collections Section), o Warburg Institute e o CERL (Consortium of European Research Libraries) organizaram, em Londres, o seminário "A coordinated approach to recording and searching provenance records and images: moving forward"[1]. O foco principal dos trabalhos apresentados esteve na importância da identificação, a necessidade de estabelecimento de vocabulário controlado para a catalogação das marcas de proveniência e suas relações com a digitalização de livros impressos.

No Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, da Universidade de Évora houve o projeto “O Palácio Nacional de Mafra: levantamento e divulgação de proveniências francesas (séc. XV-XVIII)”[2], coordenado pelo Prof. Dr. Tiago C. P. dos Reis Miranda. Em 2016, como ação desse projeto realizou-se no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o seminário "Marcas de proveniência bibliográfica: localizar, classificar e descrever". Seu objetivo primordial, conforme expresso no título, foi destacar a importância desses elementos para a história das coleções que compõem uma biblioteca, no caso específico, histórica.

Na ocasião do referido seminário, a historiadora Fernanda Maria Guedes de Campos apresentou a comunicação "Marcas de posse: a outra história do livro" (2016). De acordo com as ideias de Campos, pelas marcas de proveniência é possível perceber com melhor clareza o uso do livro, bem como delinear uma outra história para o livro, aquela que ultrapassa o conteúdo impresso. A pesquisadora também comenta as dificuldades para a descrição documental das marcas de posse – o que, sem dúvida, reforçam os caminhos futuros para especialistas da área de indexação. Campos (2016) nos lembra que essas marcas são também fontes para a História das Mentalidades, uma vez que, através do levantamento de marcas de posse, podemos identificar os possíveis leitores.

Objetivos:

O objetivo geral para os próximos cinco anos é, fundamentalmente, colaborar para a difusão de conhecimentos relacionados às marcas de proveniência no universo acadêmico da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Para tal, os objetivos específicos são:

 

  • Identificar projetos técnicos e de pesquisas dentro e fora das universidades que se relacionem com a temática das marcas de proveniência bibliográfica;

  • Conhecer as principais demandas de profissionais que trabalham com marcas de proveniência, sobretudo aqueles que atuam em instituições públicas;

  • Colaborar com a efetivação de planos de ações de colaboradores que já participam do projeto;

  • Promover encontros e debates sobre a temática;

  • Estudar modos de representação descritiva e vocabulário controlado para marcas de proveniência;

  • Analisar os diferentes usos das marcas de proveniência bibliográfica;

  • Ampliar os estudos de marcas de proveniência também em arquivos;

  • Estudar a relação entre curadoria digital e marcas de proveniência.

 

No conjunto desses planos de ação há 6 eixos que se resumem em:

1) marcas de proveniência e curadoria digital;

2) marcas de proveniência, representação descritiva e vocabulário controlado;

3) marcas de proveniência e disseminação de informação;

4) marcas de proveniência e combate ao tráfico ilícito de documentos;

5) marcas de proveniência em documentos textuais;

6) marcas de proveniência no contexto da formação e desenvolvimento das coleções.

 

[1] Confere: https://www.cerl.org/_media/services/seminars/biographies_of_speakers.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020.

[2] Confere: http://www.cidehus.uevora.pt/investigacao/projetos/projetos_concluidos/(id)/3349. Acesso em: 20 jan. 2020

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